Qualidade do ar e Clima

Algumas substâncias e compostos lançados na atmosfera podem ter efeito tanto na degradação da qualidade do ar local, afetando a saúde humana e os ecossistemas, quanto contribuir para o aquecimento global. São os chamados Poluentes Climáticos de Curta Duração.

SLCP_Geral (2)

Poluentes climáticos de curta duração (ou Short Lived Climate Pollutants – SLCPs) são substâncias e compostos que têm vida relativamente breve na atmosfera – alguns dias até algumas décadas – e uma grande influência no aquecimento do clima. Os principais são carbono negro, metano (CH4) e o ozônio troposférico (O3), que depois do CO2, representam as principais contribuições antrópicas para o efeito estufa global. Alguns destes agentes climáticos também são poluentes atmosféricos perigosos, com vários impactos negativos para a saúde humana, para agricultura e ecossistemas – portanto, existe aqui um elo entre os efeitos de esfera global (aquecimento), com os de escala local (poluição do ar). Outros agentes climáticos de curta duração incluem alguns gases fluorados (hidrofluocarbonos – HFCs).
Enquanto HFCs hoje estão presentes na atmosfera em pequenas concentrações, a sua contribuição para interferência climática está projetada para subir para cerca de 3,5 a 8,8 Gt CO2e em 2050.

black_carbon_português

O carbono negro é o principal componente da fuligem, produto da combustão incompleta de combustíveis fósseis e biomassa. Sua emissão ocorre a partir de diversas fontes como carros e caminhões a diesel, fornos residenciais, incêndios florestais, queima a céu aberto de resíduos da agricultara e algumas instalações industriais. O carbono negro possui potencial de aquecimento global cerca de 460 a 1500 vezes maior que o dióxido de carbono (CO2). Seu tempo de vida na atmosfera varia de poucos dias até algumas semanas. Quando depositado sobre gelo ou neve, este poluente causa, além do aquecimento atmosférico, um aumento nas taxas de derretimento das geleiras. O carbono negro também possui influência na formação de nuvens e diversos impactos na circulação atmosférica regional e nos padrões de formação de chuva. Ainda, possui impacto sobre a saúde humana uma vez que é o principal componente do material particulado na poluição atmosférica, maior causa ambiental de mortes prematuras em todo o mundo.

metano_português

O Metano (CH4) é um dos gases do efeito estufa. Possui potencial de aquecimento global mais de 20 vezes superior ao do dióxido de carbono (CO2) e tempo de vida na atmosfera de cerca de 12 anos. O gás é produzido por meio de processos naturais (i.e. decomposição de plantas ou resíduos animais), mas é também emitido por muitas fontes antrópicas como minas de carvão, sistemas de produção e distribuição de petróleo e gás natural e aterros sanitários. O metano influencia diretamente o sistema climático terrestre e também apresenta impactos indiretos na saúde humana e nos ecossistemas, principalmente por meio do seu papel como um precursor na formação de ozônio troposférico.

ozonio_português

O ozônio troposférico ou ozônio ao nível do solo (O3) é a parcela deste gás presente na camada mais baixa da atmosfera (até cerca de 10 a 15 Km acima do solo). É responsável por uma grande parcela da contribuição humana para o aquecimento global e possui tempo de vida na atmosfera de cerca de poucos dias a poucas semanas. Não é emitido diretamente, sendo formado a partir da oxidação por meio da radiação solar de outros agentes, os chamados precursores de ozônio, como metano (CH4), monóxido de carbono (CO), compostos orgânicos voláteis não metânicos (NMVOCs) e óxidos de nitrogênio (NOx). O ozônio troposférico é um perigoso poluente que possui impactos negativos na saúde humana e na flora, sendo também responsável por importantes reduções na produção de culturas da agricultura.

hfcs_portugues

HFCs são gases do efeito estufa produzidos artificialmente pelo ser humano e utilizados em sistemas de ar condicionado, refrigeração, solventes, agentes formadores de espuma e aerossóis. Muitos HFCs permanecem na atmosfera por menos de 15 anos. Embora eles representem uma pequena fração dos gases de efeito estufa (menos de 1%), seu potencial de aquecimento global é particularmente grande e, se não forem tomadas medidas para seu controle, os HFCs poderão ser responsáveis por aproximadamente 20 % do impacto sobre o clima até 2050.

Veja mais em: http://www.unep.org/ccac/Short-LivedClimatePollutants/Definitions/tabid/130285/Default.aspx#sthash.d2bKmksy.dpuf

SAIBA MAIS SOBRE A CCAC- Climate and Clean Air Coalition

Reconhecendo que a mitigação dos impactos dos poluentes climáticos de curta duração é fundamental para combater as alterações climáticas, ao mesmo tempo em que contribui para melhoria da qualidade do ar, os governos do Bangladesh, Canadá, Gana, México, Suécia e Estados Unidos, juntamente com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), reuniram-se para iniciar um esforço para tratar desses poluentes como um desafio coletivo. Juntos, eles formaram em 2012 a Coalizão CCAC – Climate and Clean Air Coalition, com o objetivo de reduzir a emissão desses agentes e aproximar agendas de escala global e local. Trata-se de uma iniciativa única para apoiar a ações de rápido impacto e fazer a diferença em várias frentes ao mesmo tempo: saúde pública, segurança alimentar e energética e climática.

Hoje, a CCAC já reúne mais de 45 países e outros 57 membros não governamentais em todos os continentes. O IEMA é a única organização-membro no Brasil.

http://www.ccacoalition.org/